SNG ☠️: Amor na forma de Jade #02 💮

Rotinas são imperfeitas mesmo.

Eu disse que escreveria todos os dias.

Mas eu não devia estar bem da cabeça e esqueci de todos os meus compromissos normais, como também que preciso fazer atividade física. Nem o #Escrevereiro pode me salvar. Mas ainda quero terminar essa história.

E estou reassistindo A história de Minglan e vendo a série última que saiu da Kim Goeun, pois equilíbrio é tudo.

Sinopse de Amor na forma de Jade

Flor de Geada e Jasmine acabaram de se casar e as duas estavam prontas para viver uma lua de mel dos sonhos. Entretanto, os segredos que mantiveram uma da outra começam a surgir por causa do casamento. Jasmine não é uma foragida qualquer. Flor de Geada era parte de um exército poderoso e seus antigos chefes a querem de volta ao trabalho e uma poderosa bruxa, apaixonada por Flor de Geada, que quer desfazer esse casamento a qualquer custo.

No último capítulo, elas começaram a lua de mel e você pode lê-lo aqui [Capítulo 1].

Parte 1

Capítulo 2: Álcool

.O que você esperava? A magia de amor verdadeiro que você fez não funcionou e, de todas as pessoas do mundo, Jasmine não seria esse amor. Você tinha a consciência de que ela não seria o destino daquele feitiço. O pedido de casamento, que você fez, era uma forma fácil de aproveitar que alguém que te dizia te amar não se afastasse. 

Era bom ter alguém que prometia coisas de novo, que se interessava pelo seu bem estar e que não te deixava ansiosa procurando por migalhas de afeto, te forçando a tomar sempre a iniciativa. Seria diferente de muitas das suas experiências anteirores. Na verdade, era uma primeira vez.

Você reflete sobre isso enquanto está recostada na porta do lado de fora da cabine, protegida de olhares estranhos por estarem numa área reclusa e exclusiva que ela pagou.. Decidiu que não voltaria ao quarto, que tomaria seu tempo. Você pede orientação para encontrar a cabine de banho e demorou lá todo o tempo do mundo. Apenas deitada enquanto ninguém pede sua saída. Não é segredo que você não ama Jasmine. Você acredita que ela saiba, pois isso torna sua vida mais fácil. Ao mesmo tempo, ela não vai reparar, se você se esforçar, se for atenciosa o suficiente, não fará nem diferença amar ou não. Você só precisa se acostumar com a inversão de papéis até encontrar quem é seu amor verdadeiro, quem a  magia teria te trago.

Antes, quando era vocês duas na curva do rio, você nunca tinha pensado em Jasmine como um interesse romântico. Ela era uma amiga e, acima de tudo, alguém protegendo o seu sonho de amor verdadeiro que estava naquele orbe de jade dentro da árvore. Pedi-la em casamento foi um impulso que você não se arrepende, mas que nunca teria acontecido se o feitiço tivesse funcionado e você não estivesse tentando se vingar da Bruxa que a ajudou com ele. Achou melhor ter alguém que a amava do que o amor que nunca viria, mas há um preço.

Você deicidiu sair do banho e se irritou por ter que vestir as mesmas roupas de antes, quis comprar roupas novas imediatamente. Encontraria algum comerciante naquele barco com estoque disponível. Não era uma jornada longa para o Jardim Alagado, mas agora você estava de turista e precisava se organizar para tal. Perguntou na recepção onde poderia comprar roupas novas, sem querer explicar muito o motivo de viajarem sem bagagem.

— Acredito que só na próxima parada. Estaremos em Arraial d’Ajuda e a cidade é ótima para compras.

— Mas vocês levam carga no barco. Deve haver algum representante aqui que possa nos vender alguma coisa. Estou ajudando uma amiga a fugir de um casamento terrível, ela veio disfarçada para fugir. Estamos só com a roupa do corpo. — Você oferece uma mentira e um mimo para a recepcionista, um pouco de dinheiro para notar seu empenho na tarefa e desejando um pouco mais de compaixão e boa vontade do que estava recebendo. — Ficamos muito felizes com o silêncio e toda ajuda que puder nos dar.

— Vou pesquisar entre os passageiros e entro em contato — respondeu, sem muita vontade.

— Ou você pode me dar a lista de passageiros completa — você insiste. Antes que a recepcionista pudesse negar, Flor de Geada continuou. — Faça, que vou esperar no salão. Bem de olho em você. Seja rápida.

Sentou-se à mesa e ficou observando o entorno. Pediu vinho. O salão era um lugar bonito até para o seu gosto acostumado com Angra dos Reis. Imaginou os enfeites dourados para melhorar o ambiente, avaliou que o vinho era bom e provavelmente teriam acesso a lotes ainda melhores. As bandejas de comida que passavam por ela para o jantar eram bastante cheirosas também. E sempre tinha alguém novo se sentando. Jasmine provavelmente gostaria de se casar ali, caso aparecesse a oportunidade de vocês se casarem de verdade.. Jasmine não parecia uma pessoa com bagagem cultural ou gosto, era apenas uma militar de sabe-se lá de qual fim de mundo.

Qualquer celebração sua nunca seria simples se você ainda estivesse em Angra dos Reis, mas você abandonou tudo por orgulho. Não há outro nome para isso. Está em um arremedo de casamento, sem chance de fazer a cerimônia que você merece e tão isolada que o salão de um hotel flutuante simples te impressiona. Admita para si mesma que sente falta de morar na civilização, que você gostaria de ter um casamento digno de sua posição no império. Que você não está pronta para encarar sua esposa, a quem você não ama, nem deseja.

Tentar não é suficiente, ainda que cocê esteja tentando. Comprou roupas belíssimas para si. Uns bons vestidos de musselina, viscose e seda, tudo muito leve em peças que funcionam bem usando em camadas. Algumas echarpes e grampos para que você não lembre do passado ao se olhar no espelho. E, quem sabe, com um penteado adequado a uma mulher você se finalmente se sinta uma mulher casada? 

As roupas de Jasmine tentam deixá-la a seu gosto. Não imitam o seu estilo suave e fluido, mas são túnicas bordadas e casacos compridos, cintos trançados com padrões decorados e pedaços de metal precioso preso às linhas. Ela ficará mais bonita, sem sombra de dúvida. E você gostaria mais de Jasmine um pouco mais arrumada do que as roupas que tinha escolhido para ela a princípio. As roupas da viagem eram roupas de fuga, de passar o dia com os pés esticados sob a árvore que guardava seu orbe, roupas de deitar no chão e fazer fogueiras. Não eram adequadas à sua esposa e a quem você acreditava que Jasmine era, ainda que fossem morar no Jardim Alagado.

Você pede ajuda para se trocar com as roupas novas e para fazer seu cabelo. Você o usa todo preso agora, um coque cheio com grampos tão próximos uns aos outros que parecem uma tiara com flores e borboletas saltando do coque. Na parte mais alta do coque, há dois grampos com pendentes pequenos do lado esquerdo. Junto ao seu rosto, dois grampos com pendentes que vão se movimentar junto da sua franja, perto do rosto. É como você se imagina com um cabelo de mulher feita: acessórios mais dramáticos e o cabelo todo preso. Combina com você.

Estar pronta também significa que não há mais desculpas para se ausentar do quarto. Você precisa voltar e contar a Jasmine tudo o que fez e como estava preocupada com o conforto dela, antes de qualquer coisa. Como uma pessoa apaixonada faria. Vai ser fácil quando você encontrar Jasmine com aqueles olhos pequenos e amarelos fixos em você, toda agradecida com o seu cuidado. Apenas reaja ao que ela fizer e logo estará apaixonada se repetir isso o suficiente.

Você encontra o quarto com um cheiro insuportável de alcool e Jasmine dormindo. O cheiro não vinha de si, não tinha bebido para que o cheiro ficasse em seu suor. As garrafas que viu em seguida ao lado da cama explicavam tudo.

— Você demorou — reclamou Jasmine.

— Não tempo suficiente para você beber esse tanto.

— Até isso eu perdi — Jasmine resmunga. — Eu tinha resistência para bebida antes. Podia beber isso tudo e não ficava assim tão enjoada, com tanto sono. Eu via você bebendo o tempo todo e…Eu não devia ter pedido vinho.

— Vai melhorar com um banho. — Você responde mais seca do que gostaria de falar com a sua esposa recém-casada.

— Ficar aqui estava me deixando ansiosa e sair para te procurar… Eu ficaria perdida. Não souberam me dizer onde você estava, por isso pedi uma bebida para te esperar. Perdi a noção. Devia ter pedido chá - e soluçou.

— Levanta. Vou te ajudar a ir pro banho.

Jasmine levantou-se como podia e você apoia os braços dela sobre os seus ombros. É o melhor que você pode fazer para ser ágil e não desarrumar sua roupa e cabelo.

— Tente não cair — você pede antes de começar a andar.

— Essa parte do casamento não era o que você imaginou, certo? Você me ajuda, eu te ajudo, mas hoje estou bêbada. E terá tantas outras coisas para você fazer por mim… Que nem vale começar a enumerar.

— Você pode me contar depois — diz, pois estavam no corredor e você detesta imaginar ouvidos colados à porta ouvindo caso Jasmine comece um dramalhão.

— Às vezes não sei se teria coragem. Diferente de você, que é tão honesta sobre tudo. Você já me ajudou tanto e não quero ser um empecilho. Eu fiz coisas que me arrependo. Sou distante da minha família. Estou ansiosa e com medo de ficar sozinha de novo.

— Somos família agora. E não vamos ficar distantes, se você não quiser. 

— Não vamos dormir juntas comigo com tanto sono. Preciso ficar sóbria antes, mas-

— É melhor. Descansar por hora. Jantar, tirar um cochilo, aproveitar o barco. Você parece com sono.

— Eu estou com sono. Acho que foi um dia e tanto, hoje. Nunca mais vai acontecer de novo.

Você não responde. Deixou-a na porta do quarto de banho e ia deixá-la sozinha quando Jasmine a puxa de volta. Para seu conforto, não é para um beijo. Você não gostaria de beijar Jasmine assim.

— Onde você vai?

— Buscar suas roupas.

— Não há vinho aqui e não quero ficar sozinha. Volte rápido. Vou te esperar — disse Jasmine. As pupilas grandes, muito amarelas de medo e álcool.

Jasmine queria tanto que você a amasse. Cada vez que ela te olha você tem essa percepção. É impossível alguém ter esse tipo de reação sem estar minimamente interessado. Neste momento, a sensação que te dava era desconforto. Tanto pelo olhar quanto pelo cheiro de álcool. 

— Espere aqui, do lado de fora. Não vou demorar.

E conseguiu fugir de novo, por mais um segundo. Você é boa em dissimular. Quem te conhece de verdade gosta disso em você. 

No seu retorno, ela já está submersa. Você fala sobre o barco, do que tem dentro dele e do que vai mostrar para ela enquanto a vigia. Se Jasmine é mesmo uma militar, deve ter um corpo lindo escondido pelas roupas. Seria bom tê-la visto nua. As roupas escondem muito da forma dela. É possível que braços torneados e seios firmes dela te atraiam. Ela só não tem o jeito de estudioso que geralmente te chama a atenção.

— Também é novidade para mim, — você conta, tentando criar empatia entre vocês. — Eu vivia em Angra dos Reis, junto ao império. Não há barcos lá, como no mundo humano. Não há necessidade. E nos últimos anos, meu caminho não passava pelo rio, eu podia contorná-lo e seguir para a montanha. Toda minha energia ia para outro lugar. 

— Eu estou bem. Estava bêbada e agora me sinto idiota. Não devia ter me precipitado, ou tentando me fortalecer com vinho. Você não teria agido como eu. Ainda estou um pouco enjoada, na verdade. Poderia dormir para sempre.

— Vamos comer e descansar. Não vão nos incomodar no quarto. Não estou com muita fome, podemos ir logo.

— Já estraguei muito do seu dia. Pelo menos um jantar, para que não fiquemos o dia inteiro sem aproveitar o barco e a viagem.

Jasmine se levanta e você faz questão de reparar no corpo dela. Que ela se sinta desejada. Mas se veste tão rápido pensando no restaurante, em te agradar com companhia e não com sexo. Ela veste todas as peças que você trouxe. Ela sabe vestir todas, o que é quase uma surpresa. O nó que ela faz no cinto, o jeito de amarrar a blusa, está tudo perfeito, mas tantos lugares usam aquele estilo e Jasmine não está disposta e te contar muita coisa que você não consegue tirar conclusões, ainda que tente.

Ela nota sua atenção e acredita que seja desejo, nem imagina sua curiosidade. Ela te segura pela cintura, está tentando mostrar que voltou ao normal, mas o hálito ainda é azedo quando ela aproxima o rosto do seu. Você se afasta. É reflexo.

— Eu vou te compensar no futuro — ela diz, beijando a sua bochecha no lugar.

Você a segura a respiração, segura o rosto de Jasmine e a beija. Reaviva na memória a imagem do torso nu e como ela, em breve, teria uma esposa de corpo torneado arqueando sob suas mãos. Deixou que Jasmine se afastasse para lhe beijar o pescoço. Aproveitou o tecido grosso para criar atrito entre a sua mão e a pele.  Ouviu-a gemer.  Segurou Jasmine pela nuca, sugou-lhe a língua, mordeu-lhe o lábio. E teve vontade de mais.

O desejo estava lá, a respiração cortada, mas não era suficiente para tomar o lugar do amor de verdade que você teria conquistado junto a Bruxa do Desterro. Desejo não era suficiente..

Acho que agora já contei tudo?

Verdade seja dita, esse início é chato, mas a versão anterior era ainda mais chata. Então é uma decisão futura se eu rearranjo esse início ou não, mas é parte da história que eu precisava contar. Finja que é o capítulo da festa de aniversário do Bilbo Bolseiro.
Apesar do capítulo fraco, gosto muito da narradora. Escolhi porque ela é divertida, apesar das dificuldades de uma narradora que faz questão de ter a versão dela acima de todas. É um difícil que vai me entreter…
No mais, há coisas além a serem escritas neste capítulo, mas eu preciso de mais treino e vou deixar para a versão final.