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- SNG ☠️: Amor na forma de Jade #01 💮
SNG ☠️: Amor na forma de Jade #01 💮
Tentando terminar uma história de uma vez por todas, amém.
A gente se viu em Setembro…
Eu tinha dito que ia voltar a escrever aqui, eu disse que ia voltar com o blog, eu disse que voltaria a escrever no geral, mas nada aconteceu como planejado. Esse texto de agora tem a justificativa dele ser o mais adiantado entre os meus textos longos e eu ainda não ter aprendido a escrever para me divertir.
Como estou frustrada e com 50k, vou tentar uma minimaratona para terminar em definitivo Amor na forma de Jade e colocá-lo na internet.
Sinopse de Amor na forma de Jade
Flor de Geada e Jasmine acabaram de se casar e as duas estavam prontas para viver uma lua de mel dos sonhos. Entretanto, os segredos que mantiveram uma da outra começam a surgir por causa do casamento. Jasmine não é uma foragida qualquer. Flor de Geada era parte de um exército poderoso e seus antigos chefes a querem de volta ao trabalho e uma poderosa bruxa, apaixonada por Flor de Geada, que quer desfazer esse casamento a qualquer custo.
Elas vão precisar estar mais próximas que nunca e confiar uma na outra caso queiram sobreviver e fazer o casamento dar certo.
Parte 1
Capítulo 1: Beijo
Você parou mais uma vez o seu caminho. Olhou sobre o ombro e não viu Jasmine, que devia estar logo atrás de você. Não era pressa, você estava tentando ter consideração e empatia, mas Jasmine parecia uma criança e se encantava com toda a paisagem que via.
Era justificado. Ao mesmo tempo, você esquecia que devia esperar. Não havia graça alguma naqueles rios e montanhas para você. Eram apenas rios e montanhas.
Você precisa voltar uns bons metros para encontrá-la e lá está Jasmine. Ela parece uma estátua e você está novamente impactada pela postura que ela tem, pela aparência e por se impressionar com esse tipo de coisa mundana que não consegue te abalar. Você tenta entender o que fez Jasmine parar naquele lugar. É, de fato, muito bonito. Há um gramado enorme, copas de árvores espaçadas pelos dois lados da estrada com folhas que brilham de forma diferente pela luz do sol. E naquele ponto em específico o rio se aproxima fazendo com que algumas árvores pareçam uma passagem mágica para um reino fluminense submerso.
As duas chegariam ao Jardim alagado, eventualmente. Tudo a seu tempo.
Jasmine não é burra. Não é difícil notar que você estava deixando-a para trás repetidas vezes. Se ela parasse para pensar um segundo, teria percebido também que a paisagem, por mais bonita que fosse, era repetida, do mesmo tipo, desde que deixaram a montanha e a curva do rio. Não havia tanta novidade assim.
— Todo o tempo que durou minha prisão, o mundo ainda parece o mesmo. Quase não consigo acreditar que foi ontem que estive aqui — justifica-se Jasmine.
— Você já foi ao Jardim Alagado?
— Oh, não! Nunca! Mas o caminho, o ambiente, as paisagens que vemos pelo caminho parecem familiares, como se já estivesse estado aqui antes. Pensei muito se conseguiria compreender o mundo que encontrasse desde que você me libertou da prisão na árvore. Se eu não tivesse você, se eu não entendo como o mundo funciona, o que eu faria? Eu me isolaria? Viveria em uma caverna? Sinto que a minha liberdade é muito mais do que sair da árvore. Como eu viveria sem você? Mas agora, tudo parece muito mais fácil. Sei que vou conseguir voltar a viver normalmente.
Você escuta com atenção. Começa bem e você quer entender aquelas inseguranças, você até consegue. Ficava até feliz em ouvi-la tentar se manter focada no que vocês duas eram. O momento era de Jasmine abrir o coração, ainda que você achasse que ela estava grata demais e esperasse por outra coisa.
— Eu deixei você se sentir insegura assim. Contava fofocas quando você tinha medo do mundo. — Você se aproxima de Jasmine para amainá-la. — Não es´ta mais sozinha. Não precisa ter medo. Foi onde escolhi ficar, mas não precisamos mais disso, certo?
Para ter certeza que a atenção de Jasmine está focada em você, sua mão vai até o rosto dela para um carinho e espera que as dúvidas dela e o seu desconforto passem. Repetiu para si mesma que estava tudo bem e que estar juntas era o mais importante. Se estivesse lendo Jasmine corretamente, os olhos dela te olhavam com firmeza e ela parecia escutar com atenção. Aqueles olhos amarelos que fez com que você a chamasse de Jasmine fixos em você, brilhantes e sinceros como sempre.
Ela ama você. Você sabe disso. É o que ela tem demonstrado. Pelo menos você entende como amor. E, se ela te ama, é o suficiente, é o que importa.
— Para onde mais iríamos?
— Podemos ir para casa depois. Ter uma cerimônia de casamento. Há muito para te mostrar diferente do que você conhece. Acho que até sei por onde começarmos — você responde com muito mais afeto e paciência do que tinha há pouco tempo atrás.
Sabia para onde ir e deixar Jasmine impressionada. Distrair o objeto de afeto era algo muito inteligente de se fazer. Forçar que mais memórias de Jasmine fossem relacionadas a você e tudo de bom que ela conhece partisse do que vocês tem junto.
Você pede que Jasmine espere um momento, avalia a direção que devem ir e seguem para um bambuzal. Tão denso que bloqueava quase toda a luminosidade e, dentro dele, o que se podia ouvir era basicamente o vento e o eco dos troncos de bambu se chocando. Tem que se guiar um tanto pelo instinto, pois é impossível ouvir o barulho da correnteza ali. Jasmine continua te seguindo, mais uma vez sem saber seu destino.
Não era um ritmo de caminhada fácil. Mais uma vez, você esquecia que nem todos tinham a sua disposição, sua força, sua perseverança. Jasmine não reclamou, mas logo estaria cansada. Talvez você tivesse feito isso de propósito, para que ela estivesse frágil à noite.
Na velocidade que você se desloca, provavelmente não nota os olhares admirados de Jasmine. Ela tenta, se esforço, mas precisa cortar parte do bambuzal com uma espada curta para te acompanhar.
Jasmine parecia uma guerreira, tinha postura de militar, mas eram poucos que podiam se equiparar à você. Até um deus da guerra pedia sua ajuda e te respeitava. Mesmo assim, você imprimiu um ritmo acelerado àquela viagem pelo bambuzal. Isso tudo era ansiedade para deixar Jasmine mais próxima à você? Mais agradecida?
Não deveria ser um problema que ela sentisse gratidão. É possível sentir gratidão e amor. Ao contrário de você, que tem sentimentos muito complicados e que não tem lugar nesse relacionamento.
Do silêncio, é repentino a volta do barulho da correnteza, muito mais forte que antes. Aquele rio tranquilo de antes era um afluente singelo. Era inevitável que Jasmine ficaria muito impressionada com aquele rio, a margem distante do outro lado e a música dos bambus. Além da paisagem, aquela região tinha mais agrados para viajantes em busca de aventuras.
Você tem uma memória muito vívida de vocês duas neste momento. De que havia barulho dos bambus, da correnteza, da luz que conseguia passar pelos bambus altos e curvados até vocês duas. Lembra-se com detalhe do que vestia. Conseguia imaginar como seu grampo com pingentes tilintava, do brilho das pedras de jade à luz do sol, de como ele parecia azulado sob a luz. Nas suas bochechas rosadas pelo calor. Jasmine usava algo que você escolheu, um tecido grosso e impermeável, com uma textura que demonstrava requinte, que distinguiam aquele conjunto simples e de cor neutra de um uniforme de batedor.
Seu leque é usado agora como elemento decorativo, para espantar o calor que ainda está nas suas bochechas apesar da brisa.
— Sente o cheiro? — Pergunta e usa o leque para apontar uma a margem mais à frente. O movimento faz seus grampos tilintarem. — Há um eucaliptal mais abaixo, do outro lado do rio, mas o tamanho e a posição sempre fazem com que o cheiro venha para cá.
Continuou andando pela margem, agora com tranquilidade e uma leveza que nem parecia que suas bainhas estavam ficando enlameadas.
— Logo você verá — você continua, — que estamos em uma região de bastante movimento. Há barcos de carga, de silvicultores, transporte de pessoas e todos passam por aqui. Essas pessoas precisam de entretenimento e de um lugar para gastar.
Jasmine deve ter visto o cais logo em seguida. Grande o suficiente para um barco que ela não acreditava ainda ter visto. Você mostra à Jasmine a embarcação chegando assim que nota o cheiro de carvão, para que Jasmine observe com atenção e no detalhe aonde vocês estão indo.
Você abre o leque como se abrisse os braços para mostrar a surpresa. Já estão no cais e vão entrar naquela embarcação gigantesca. Muito maior e mais rápida do que parecia, logo chegando ao cais para buscá-las. Jasmine não escondeu o receio.
— Não parece seguro. Porque entraríamos nesse monstro? — questionou Jasmine.
— É um monstro a nosso favor. Dentro é como uma rua movimentada e é sempre dia, ou até uma casa de chá flutuante muito chique.
— Esse tipo de máquina foi o tipo de coisa que lutei com por muito tempo. Eram armas, não meios de transporte — explica Jasmine. Mas esse barco era ainda maior do que aqueles com que Jasmine devia ter lutado.
Nada daquilo era relevante. O barco era lindo, o serviço era impecável e você adoraria ser novamente uma mulher mimada, ao invés de uma guerreira.
— Vamos conversar melhor lá dentro — você oferece, não dando chance para que Jasmine te negue o pedido. — Aqui é completamente diferente do Jardim Alagado. O Jardim Alagado é uma brejo. Há flores que gostam de umidade, sapos, alguns vizinhos e um bosque de erva-mate na parte seca.
— Os vales fluviais são todos meio parecidos no fim das contas — comentou Jasmine com desinteresse.
— O Jardim Alagado vai ser diferente — Você aproveita que tem a atenção de Jasmine para apontar algumas flores com o leque, um tipo grande e branco destacado de uma folhagem escura. — Você não verá flores como essas quando voltarmos ao Jardim Alagado, mas há outras espécies que só existem lá e um deque para apreciar a paisagem todos os dias. Vou te mostrar quando chegarmos em casa.
— Agora iremos para o barco monstruoso — comentou Jasmine sem nada na voz. — Espero não parecer alguém que esteve presa enquanto estiver com as outras pessoas no barco.
Você a olha com cuidado. Não é a primeira vez que faz isso. É bem comum, na verdade. Ela é muito bonita, do tipo que poderia ser uma raposa disfarçada. Rosto oval, olhos inclinados, maçãs do rosto delicadas e você tinha visto o suficiente para saber que ela tinha seios grandes e cintura fina. Ninguém se importaria que Jasmine estava mal vestida bonita como era.
— Vamos cuidar disso, mas não acho que ninguém vá questionar nada. Parece que você passou anos debaixo do tempo., mas as roupas são adequadas. Parece uma militar. — A reação de Jasmine não foi boa ao comentário, por isso você se corrige depressa. — Talvez uma religiosa? É o que parece.
— Ainda bem que não me vi no espelho. Poderia ter levado um susto. — Jasmine tentou disfarçar o desconforto rindo de si mesma. Além do barco, havia um medo de se ver no espelho e não se reconhecer mais, do rosto que Jasmine conhecia ter mudado muito.
— Suas roupas não estão nada mal. E eu escolhi no seu gosto, se lembra? Não poderia te deixar com aquela túnica antiga, por mais bonita que ela fosse. Nunca tinha visto uma daquelas antes.
Mas não se importava que Jasmine explicasse a origem da túnica ou qualquer outra coisa. Você está bem aceitando que a vida de Jasmine era a partir da prisão e a partir da sua existência na vida dela. Não queria saber de um passado que não te dizia respeito. Estava muito mais preocupada em comprar mais roupas e fazer com que Jasmine usasse mais acessórios.
Jasmine também tinha dinheiro e o usou para pagar o barco. Era dinheiro antigo, óbvio, mas de material que fazia sentido para trocar e foi aceito para a passagem. Pagou, inclusive, por uma cabine muito melhor do que você estava disposta a pagar. Vocês nunca tinham conversado sobre o que Jasmine fazia antes de te conhecer, como ela levava a vida. De toda forma, era melhor que aquele dinheiro velho fosse usado de uma vez, enquanto ainda tinha algum valor.
Você quis entrar assim que o barco atracou, para mostrar logo o interior à Jasmine, que era exatamente como você tinha explicado: uma casa de chá gigante. Havia uma recepção com água e chá logo na entrada, muita gente passando seguida de carregadores com malas. Jasmine não comentou que este chá era de qualidade inferior, então você também se calou. Pediria um melhor assim que fossem levadas ao quarto.
Foram guiadas de corredores estreitos até uma área bem mais ampla.
— Por que vamos ficar aqui? — perguntou Jasmine — Não estamos longe demais do movimento?
— Este é o quarto que você pagou — você responde, sem completar a pergunta. Não há nenhuma curiosidade em saber porque estar perto do movimento era importante. Para você, não fazia sentido algum aquele pedido. — É um ótimo jeito de comemorar sua vida nova.
O quarto é espaçoso e você espera que a cama seja macia, só por ela ser uma cama de verdade, ao invés de algum tipo de adaptação de sacos de dormir. Vocês tem acesso à uma banheira no final do corredor e tem um lavabo privativo.
— Vou te deixar descansar, pedir um banho, ver se arranjo roupas antes de chegarmos à cidade e a agenda de apresentações.
—- Você não está cansada? — Jasmine se aproximou, te observando de perto. — Não faz mal tirar um cochilo. Eu te ajudo a ficar confortável-
— Posso esperar por mais tarde. — você a cortaa enquanto colocava as mãos quase na nuca de Jasmine para colocar uma mecha de cabelo no lugar.
Estavam tão próximas que um beijo era inevitável. Você estava curiosa. Seria o primeiro beijo e ele diria muito do que você queria saber, muito do que realmente era importante naquele relacionamento.
Você não estava apaixonada, mas aquele beijo diria a verdade. Seria a validação de que você sentia alguma coisa. Talvez a magia tivesse acontecido, no fim das contas. Queria acreditar que sim ou que começaria magicamente a partir de algum momento próximo. Ela esperava pelo coração batendo com rapidez, respiração entrecortada e a sensação dos seios pressionados, mas foi um beijo bem comum. Sem nada de especial. Bem diferente do que deveria ser.
Jasmine te olhava ansiosa. Você não sentia nada.
— Volto já.
Ela esperava mais, mas você saiu porta a fora.
Acho que agora já contei tudo?
Capítulo finalizado. Além daqui, ele está também no wattpad. Estou criando motivos para começar 2026 com coisas finalizadas (e um texto pronto quando alguém perguntar se alguém conhece história de mulheres caóticas).