SNG ☠️: Amor na forma de Jade #06 💮

Bruxa do Desterro, senhoras e senhoras!

A narradora, a maioral, a Bruxa do Desterro

Chegamos na minha parte favorita da história. Esse cena está desde a versão novela da história e quando eu precisei mudar e encurtar, ela ficou.

Não consigo dizer se ela é essencial para o enredo, mas eu amo escrever a Bruxa do Desterro e narrar com ela deixa tudo mais divertido. E depois de todo o malabarismo da v1 e v2 escrevendo com sonsiane, narrar alguém sendo abertamente malvado tira um peso da gente. A Bruxa do Desterro também está atrás do amor da vida dela e é muito mais direta sobre isso do que Flor de Geada ou Jasmine. O defeito da querida é estar fora do casal principal.

Defendo a diva com a minha vida.

Sinopse de Amor na forma de Jade

Flor de Geada e Jasmine acabaram de se casar e as duas estavam prontas para viver uma lua de mel dos sonhos. Entretanto, os segredos que mantiveram uma da outra começam a surgir por causa do casamento. Jasmine não é uma foragida qualquer. Flor de Geada era parte de um exército poderoso e seus antigos chefes a querem de volta ao trabalho e uma poderosa bruxa, apaixonada por Flor de Geada, que quer desfazer esse casamento a qualquer custo.

Elas vão precisar estar mais próximas que nunca e confiar uma na outra caso queiram sobreviver e fazer o casamento dar certo.

Parte 2

Capítulo 5 pt1: Campina

Você sempre soube para onde iria. Tinha discutido, tentando convencer porque era mais fácil que Jasmine fizesse o que você quer por vontade própria, mas o que ela poderia fazer? Você não conta para onde vão, que ela confie em você como devia ter feito desde o início. Você mente porque ela não confiou na sua decisão, porque devia te ouvir, se está apaixonada de verdade. 

O ritmo era intenso, como você está acostumada, como era necessário e como imagina que uma militar agiria, mas Jasmine é inesperadamente frágil. Ela dormia assim que paravam para descansar. Ela estava muito fora de forma ou precisava de muito mais tempo para se recuperar do seu golpe. E você nem tinha usado sua força verdadeira.

Era adorável como Jasmine estava ansiosa para se esconder. Devia estar sonhando com uma vida de casada tranquila e agradável em um cantinho bucólico só para as duas. Tão diferente do que você sempre sonhou. Era impensável que você aceitasse uma vida tão comum. Mas o que você deseja agora, o que acredita querer, é  Jasmine.

Por isso contornou todos os lugares perigosos, como o Vale Vermelho. Aquele lugar decadente, cheio de regras e conflitos internos. É necessário documentos para entrar, há guardas em todos os lugares e desde que a rainha morreu, a princesa Calico é um fantoche buscando alguma dignidade.

Você passa longe de grandes centros, acamparam em todas as cidades que passaram desde aquele primeiro susto em Arraial d' Ajuda que te fez pedir ajuda à família da sua ex. A última cidade que viram foi um vilarejo bem abastecido no meio do nada em torno de um poço central. Dali para frente, as árvores ficam mais esparsas até se ver apenas a campina a perder de vista. O único caminho era feito por carroças amassando a grama alta, verde e forte que engolia os passos e cobria até a cintura. Nem mesmo seus passos, que geralmente produziam uma fina camada de orvalho, era incapaz de fazer qualquer mudança no chão.

Se Jasmine estranhou o lugar onde estavam indo, não disse. Fez o trajeto silenciosa. Confiando em você e aproveitando a paisagem que mudou da floresta de bambus para o campo aberto, tão bonito com as montanhas ao longe. Cansada demais para te alcançar e te fazer parar.

Vocês seguem até verem uma casa ao longe.

— É aqui — você anuncia.

— É seguro? — ela pergunta. Deve estar achando que a casa foi um encontro fortuito para acamparem no meio do caminho. Era óbvio que aquele descampado não era o Jardim Alagado.

Jasmine esperava que fosse um lugar seguro. Provavelmente, por causa da sua postura confiante e relaxada, como se tivesse chego onde devia estar. Você vai rápido até a porta, entra com passos firmes, sem cerimônia ou medo de armadilhas.

Havia móveis antigos manchados de sol junto a móveis novos, todos abarrotados lado a lado, com duas mesinhas empurradas junto como se fossem uma só e baús empilhados como em um jogo de encaixar.

Sentada de costas para a porta, uma mulher tomando chá em uma porcelana colorida. A mulher usava enfeites de cabelo mais luxuosos que os seus. O grampo no topo da cabeça aparecia por cima do coque e um grampo à direita com um grande arranjo de flores azuis, mais dois grampos com pendentes de cada lado. O estilo clássico, imutável, de quem viveu muitos anos e não foi influenciada por tendências passageiras.

Flor de Geada se aproximou da mulher, sem se importar se fazia barulho no piso antigo de madeira ou se suas pegadas estalariam, levou a mão até a nuca da mulher e empurrou a cabeça dela em cima da mesa. Em seguida, prendeu os dedos sob o coque firme e os grampos para continuar golpeando a cabeça da mulher no tampo da mesa que quicava de qualquer jeito sobre o tampo. Dali, produziu um golpe de imobilização.

Jasmine se posiciona para a luta, esperando que você comece um embate,ou que a mulher agredida reaja. Não teve tempo para pensar que ali devia ser um lugar seguro, onde vocês pousariam antes de chegar ao Jardim Alagado. Não devia haver desafetos ali. Você prometeu a Jasmine chegar ao Jardim Alagado, você a fez acreditar que aquela casa era segura e ela confia em você.

A oponente reage com metódos de contra-ataque que não envolviam força bruta. Suas mãos estão roxas, como se sem circulação adequada. As veias do pescoço também ficaram ressaltadas, subindo roxas e azuladas até as bochechas, mas isso não é suficiente para te impedir. Você usa a força que ainda tem na mão para apoiar o torso da mulher na mesa, prendê-la pelo pescoço e submetê-la sob um poder congelante. 

É uma batalha de vontades da qual Jasmine não consegue intervir. Jasmine deve bem saber que aquela disputa era entre iguais e que ela não tinha cultivo suficiente para intervir naquela luta sem se ferir gravemente. 

A mulher força seu braço esquerdo esticado sobre a mesa, fez um movimento circular e atingiu sua articulação do cotovelo. O segundo que você recebe o golpe é suficiente para que você perca força e a mulher se afaste. As duas se encararam, o foco completamente direcionado uma para a outra.

— O que ela faz aqui? — diz a mulher. Ninguém imaginou que ela tinha notado Jasmine. 

A mulher anda junto a mesa, se afastando de você e colocando você e Jasmine dentro do campo de visão. Ela diz para Jasmine:

— Não vê que não tem lugar aqui? Sente-se e tome chá. Você não sabe no que está envolvida.

— De fato, ela não lhe diz respeito. É a mim que você precisa derrotar. Sua vida é minha — você interrompe na voz mais indiferente que você consegue. É o embate que você precisa para se sentir livre novamente e seguir o seu caminho com Jasmine. Um pouco daquela Flor de Geada do passado, a mulher poderosa o suficiente, capaz de derrotar todos os inimigos e aterrorizar desafetos. Jasmine não tinha ideia do tipo de pessoa que a encontrou presa naquela árvore, nem os motivos que a levaram a encontrá-la naquela prisão. 

— Por isso me arrumei para te ver. Sabia que você viria me ver. Temos uma laço inquebrável ao longo dos anos. — Ela saboreava cada palavra.

É impossível dizer que a mulher estava feia, as roupas vintage combinavam, a deixavam parecida com uma princesa. Os olhos redondos, a maçã do rosto alta, a cor escura da pele, o nariz pequeno e largo. Ela era como uma estátua antiga de uma divindade. Era natural se impressionar com a beleza.

Você não podia mais escondê-la. “Laço inquebrável” dizia muita coisa. Era impossível que Jasmine não tivesse entendido que vocês tinham ido visitar a Bruxa do Desterro. Você preferiu encontrar a Bruxa a levar Jasmine para um lugar seguro. Colocou a Bruxa e o seu sentimento acima de tudo. 

— Você não disse que estou bonita.

— Parece uma vagabunda — você cospe.

Bruxa do Desterro não estava satisfeita e virou-se para Jasmine esperando uma resposta.

— Muitas pessoas devem te achar atraente, sim — responde Jasmine.

— Mas não você — comenta a Bruxa com um muxoxo.

Você está observando Jasmine o tempo todo, tentando ler a reação dela com mais detalhe. Você quer entender se Jasmine mentiu ao dizer que a Bruxa não fazia seu tipo. Você precisa ser honesta, a Bruxa era bonita. Mesmo agora com sangue saindo do nariz, lábio querendo inchar, cabelo todo desfeito e uma mancha enorme perto da gola, a Bruxa era muito bonita.

Nem passa pela sua cabeça avaliar a reação dela à sua mentira. Você espera empatia ou subserviência o tempo todo, qualquer coisa que a faça aceitar o que você decide é uma prova de amor. E, da parte de Jasmine, ela te ama.

— Seu rosto não parece de verdade, parece mais uma máscara de teatro e diz para ninguém chegar perto — explica Jasmine.

— E ela, o que você gosta sobre ela? Pergunto porque temos o mesmo gosto. — E como se não tivessemm lutado há poucos minutos, a Bruxas se serviu de chá na xícara que sobrou na mesa e suspirou antes de tomar um gole. Você não tira sua atenção dela porque ela te intriga. É alguém do mesmo nível que o seu, com poder equivalente, a mesma trajetória. Parecidas demais e que poderiam ser muito próximas, mas essa similaridade a torna uma rival a seus olhos, ainda que você não acreditasse que a Bruxa te enganou sobre a magia permutada. — Olhe para ela — continua a Bruxa sobre você — Até os cílios são deliciosos.

Mas você não reconhece  que a Bruxa te atrai. Você ataca. Buscou debilitar a Bruxa atingindo-a nos ombros. Com braços imóveis pelos golpes, a Bruxa não podia defender o rosto e ela precisava ser muito ágil para não ser ferida. Você não está tentando derrubar a casa usando energia, mas as hastes do leque são suficiente para ferir a pele.

— Por que sinto que você me ama? — sugeriu Bruxa.

— Você tem uma visão muito distorcida de amor. Nunca devia ter confiado em você.

— Sendo amor, não é suficiente para você? Não discutimos nada específico sobre o que você queria. Amor existe de tantas formas… — insistiu a Bruxa. Os braços ainda pendentes, passos longos para evitar os piores golpes, provavelmente matando tempo.

— Você me deve — você insiste.

— Será? Eu te dei o que você pediu. 

Você precisava aceitar que, quando pediu por amor, quando fizeram aquele acordo nada estava definido sobre como e quando esse amor pedido existiria. A Bruxa fez tudo o que você pediu e você sente rancor, mesmo assim. 

Os braços da Bruxa se soltam, peças de mandeira criando um estrondo ao cair no chão. Um barulho alto de pedaços de madeira caindo no chão velho. Você não tinha reparado antes que eram próteses. Deve ter, nem que por um segundo, se perguntado o que aconteceu para que a Bruxa as usasse.

— Pode ficar comigo no lugar, se pediu errado. — Bruxa termina segundos antes da cabeça se soltar e também rolar no chão fazendo o mesmo barulho de madeira quicando que as próteses do braço.

Você não se importou de mover a marionete do chão e vai até Jasmine. Não era para Jasmine ter ouvido nada daquilo, ao mesmo tempo, se perguntava o que Jasmine tinha entendido daquele embate, se conhecia marionetes e por isso tinha se envolvido tão pouco na luta.

Sua namorada é três capivaras de pelúcia dentro de um casaco grande

Estou tentando fazer de 2026 o final de uma corrida que começou bem, depois tomou uma estabilidade e agora, na reta final, eu preciso de uma energia que eu sabia que eu não tinha (e do tempo, e do apoio…) E eu tenho um VR e um sonho.

Aí eu vou continuar escrevendo mesmo. Não é que distrai?